janeiro 12, 2008

Dias da Rádio

Mon ami Amaral, na noite da passada quarta-feira, num programa sobre Stockhausen - que bela voz e dicção tem este moço. Tinha telefonado ao Pedro sem saber do programa, que já decorria, e ele alertou-me para o facto, mas ainda ficámos ao telefone uns bons 15 minutos. Quando ele começou a sintetizar-me o programa, já depois de eu ter sintonizado a frequência, senti-me intelectualmente mareado - Pedro por extenso, na orelha direita, Pedro resumindo-se em tempo real, na esquerda. Optámos pois por desligar. Fiquei sem o Pedro tmn e concentrei-me do Pedro Antena 2.

Manoel de Oliveira foi ao Pessoal e Transmissível, de Carlos Vaz Marques. Houve um momento dúbio e notável, mesmo no fim. O jornalista pergunta se Oliveira pensa em comemorar o seu centenário, o que soa quase a perguntar se planeamos assistir à nossa própria efeméride. Creio que Manoel de Oliveira se irritou e desabafou que acabava ali a entrevista. Vaz Marques pareceu ignorar a irritação do cineasta e rematou o programa como de costume (estava no fim). Sendo o programa montado, a decisão de Vaz Marques foi reflectida, ainda que improvisada num primeiro tempo. Tudo isto é muito estranho. Ou então fui eu que não percebi nada - enfim, sou 63 mais novo do que Oliveira, que sei eu da vida? Podem conferir aqui.

Ouvi hoje pela primeira vez o fórum da TSF, que me pareceu ser o jardim-infantil do Manuel Acácio, tal o tom de voz complacente e paternal do jornalista. Registei com alívio e agrado que Portugal está bem servido de especialistas em teorias da conspiração. Parece então que o desastrado Mário Lino pôs em prática, com enorme sacrifício pessoal, uma estratégia para desacreditar a hipótese da Ota. E ainda dizem que não há amor à causa pública...