Alexandra Lencastre: vê-la em trajes menores, na televisão, encheu-me de um pudor que nem uma cena de bacanal zoófilo seria capaz de induzir. Se Rachel Welch e Sofia Loren podem perpetuar a sua beleza, tal como - até me faltam exemplos - Carla Matadinho um dia o fará, com as sex symbols de diferencial etário óptimo a perenidade é contraproducente. Para nós.
Ouso revelar o dirty little secret da minha geração: a nossa sexualidade e orgulho-próprio foram salvos pela decadência física de Samantha Fox. Olhar para ela agora deixa-nos a salvo de flashbacks embaraçosos.
Tendo surgindo quando já não havia nesta cabecinha lugar para mais fantasias sexuais - que marcam presença pela ordem de chegada e devem nada ao bom gosto -, a Lencastre, com o seu aspecto impecável e uma sensualidade até algo exagerada, ainda é capaz de me arremessar a uns bons 15 anos na direcção do passado. Não sei se gosto, mas não há propriamente culpados.
Gatos fedorentos: não perderam qualidade, apenas a soterraram na quantidade. Vejo nisto a marca da genialidade. O excesso de procura fez baixar os padrões de qualidade do grupo e obrigou-os a reciclar ideias, mas os momentos de rasgo ainda acontecem. Eles não esgotaram o baú, embora precisem agora de encher chouriços. É a vida. A de Bach, por exemplo, também foi assim, salvaguardas as diferenças - refiro-me à farta cabeleira do músico e à opção capilar sempre rasante do RAP.