Como resolver o caos acústico de uma cidade em hora de ponta? A solução mais radical é, obviamente, o feriado. De entre as soluções de compromisso, destaca-se a janela de vidro duplo, tão eficaz como vazia de poesia. Não se deve por isso estranhar que fique a pensar muitas vezes em paisagens com neve. Gostaria de acreditar que uma paisagem com neve tem propriedades acústicas distintas das da mesma paisagem, sem neve. A neve, como o cartão das caixas de ovos coladas nas paredes de um estúdio de amador, seria capaz de acamar os sons. Assim se explicaria a sensação de paz que tenho quando, ao acordar, descubro a cidade coberta de branco. Sucede que a poesia de tais paisagens é uma ilusão fraudulenta, que só sobrevive porque preferi esquecer a interdição ou, no mínimo, o abrandamento do trânsito que geralmente vem com os nevões. E é um vício pouco indiossincrático, isto de querer decidir sobre a beleza das coisas. Felizmente, pelo menos no que toca à acústica das horas de ponta, tal problema de consciência resolveu-se nos últimos dias. Com alívio e orgulho, declaro ter encontrado uma solução que conjuga honestamente a eficácia do vidro-duplo com a poesia da paisagem nevada: um casal de idosos chineses fazendo Tai Chi Chuan às sete da manhã. (já volto)
Uma cobra branca e outra vermelha, animadas a gasolina
Atrás delas o East River, escuridão animada pela brisa
A seguir, as constelações dos T1 e T2, animados a televisão
E ao fundo só a noite, ainda mais noite
Onde dormem os meus, num ânimo onírico, sem bússola
Sem instrumentos de navegação espalhados sobre a mesa
Como acertar na direcção que leva ao rosto de minha mãe?
Como esperar que se não percam as palavras gritadas?
Palavras que sussurro ao telefone e o diafragma peneira
Daqui não sei a que aponto, se a Estrasburgo ou a Milão
E o erro de um grau apenas chega à Europa agigantado
Em desvio para um par de horas de comboio
Como vencer o ventos, as vagas, o apito dos cargueiros?
Como vencer a dispersão?
O oceano Atlântico é a minha desculpa preferida
Banho-me em desculpas, literalmente
E de bruços penso nas sugestões impossíveis
(O consolo de infiéis, ingratos e cobardes)
Não seria bom fazermos do meridiano mais próximo
Uma linha de metro, direcção Norte?
Marcar encontro diário na coordenada zero
Só porque é fácil de memorizar e, lateralmente
Se aproximam as longitudes?
Truques, truques e mais truques, eu sei
Fito a noite como quem finta os dias
E as palavras continuam a crescer cá dentro
Com a paciência das estalactites
Não chegando a sair, modulam o discurso
Com noções de acústica e rudimentos de espeleologia
Ficaria tudo mais fácil, se por momentos esquecesse
A falta que sinto dos teus olhos.
Lentamente a minha geração começa a chegar ao poder. Dominam já as secretarias de estado e nas redacções deixaram de escrever apenas sobre os temas dos jovens (a música pop e o sexo). Creio estar a assistir à inversão de papéis que é propria das biografias normais: ser filho e chegar a pai, ser aluno e chegar a professor, ser de esquerda e chegar a reaccionário, etc. A diferença é que este processo não ocorre comigo, mas com a minha geração. Para todos os efeitos práticos (se esquecermos o IRS), continuo a ser um adolescente, com as preocupações dos adolescentes, cristalizadas numa: o que quero ser na vida. Tudo o resto, que inclui uma aparente sofisticação (um adolescente normal não se interessa pelos tintos Rioja, por exemplo), é acessório. Confesso que me agrada esta posição de espectador. É um privilégio assistir ao crescimento da minha geração, na ilusão de que não cresço com eles. Aqui, "geração" define-se como um grupo de gente que assistiu aos mesmos desenhos animados na infância. Segundo esta definição, pertenço à "geração Vasco Granja" (qualquer tipo da minha idade que tenha crescido em Portugal é um especialista em desenhos animados polacos, checoslovacos e húngaros). Cada geração usa questões vagamente crípticas, do género "lembras-te do Filipe, o gafanhoto?", como quem pede uma senha. Mas há outra prova, mais subtil. É quase sempre acidental, e por isso mesmo ainda mais agradável. Ocorre, por exemplo, quando lemos um determinado texto, escrito por alguém que não conhecemos, mas que nos soa desconcertadoramente familiar. Não me refiro a textos que abordam temas sobre os quais já reflectimos da mesma forma ou em que reconhecemos as nossas próprias emoções. A sintonia racional e a emotiva são irrelevantes para definir uma geração. É quando a identificação com o texto ocorre no plano das impressões que reconheço a pertença a um mesmo grupo. É esse o maior prazer que retiro das provas de maioridade da minha geração. Porque agora é frequente deparar com textos como este. Sem pretender desconsiderar o talento do Pedro Mexia, por que motivo gostei tanto da sua prosa? Porque é um texto sobre o meu tempo e o modo como o vivi.
* post perdido e restaurado de memória.
Suburbano fui, tardiamente resgatado
Ficou-me para sempre aquele defeito de paralaxe
O fascínio pelas ruas velhas e o jeito acrítico
De olhar os caixotes de lixo derrubados, assim poeticamente
Gosto das cidades porque é possível amá-las em paz
Partilhar, sem a presunção da generosidade
Uma cidade desfruta-se em orgia, está visto
E dispensa cartas, remorsos, a sogra e os planos de biografia conjunta
São dois braços mágicos: eternamente disponíveis, logo me abraçam
Quem se atreve a recusar um amor irresponsável ?
Talvez a gente do campo...
Pequeno era, e com o meu spitfire brincava
Dos mil nazis tombados ao som da metralha
Nem um agora me apoquenta, que bem estava
Hoje não mato por dá cá aquela palha
Repara, João, não é tanto uma questão
De consciência, evasão, geo-política
É que à motivação prefiro a munição
Não topar isto é coisa bem paleolítica
O perdigoto não mata, mas muito engorda
O Ego forjado na chamberlainofobia
Não seria melhor dedicares-te à poda
Ou ao “Churchill, Churchill, Chur...” como uma litania?
Chill out, meu, não desembaínhes o apelido
Podes cortar o dedo e o tétano é fodido
Antes quero ser filho e neto de uma puta,
A alinhar contigo e com os teus nessa luta.
Frankfurt, Francoforte, francamente estou-me nas tintas. É uma cidade horrível, terraplenada à bomba e com um aeroporto desenhado por um arquitecto pouco inspirado. Como se não bastasse, não falo alemão. Na adversidade, preparei-me com optimismo para enfrentar uma madrugada de oito horas no aeroporto de Frankurt. Tinha leitura e coisas em que pensar. Admitia uma qualquer epifania, pela simples aplicação da lei das probabilidades; oito horas a ler e a pensar é muito tempo. Três horas depois, farto das leituras, passeava-me como um analfabeto diante dos escaparates. As mamas da Gisele Bundchen eram a única coisa das capas das revistas que conseguia soletrar. A minha germanofilia acabava e aconchegava-se ali. A partir da quarta hora tudo se complicou. Fiquei impaciente e cometi um crime de lesa-livro. Os bibliófilos devem abandonar neste momento a leitura. Dei comigo a comprar uma esferográfica, com o requinte de ter trocado o preto pelo azul. O detalhe é importante e mostrará que o crime foi premeditado. Sentei-me depois à mesa de um café, tirei um romance da mochila e comecei a escrever sobre as páginas abertas. Isso mesmo, num livro novinho, oferta de um amigo e cuja leitura ainda ia a meio. Escrevia sem pensar e sem perceber a minha letra. De vez em quando, formava-se um pequeno edifício de lógica e coerência que durava três quatro, talvez cinco linhas, mas a prosa apenas se endireitara; continuava ilegivel. A esferográfica avançava veloz pelas páginas já escritas a caracteres negros (percebe-se agora que "Não tem antes azul?" era para ganhar contraste). Sempre fui cruel com os livros. Perco prosa do Herberto Helder em Nova Iorque, dobro os cantos página sim página não, deixo livros em posição de esparregata, só para stressar as lombadas, e, enquanto leio, como até torradas de pão bem fermentado barrado com manteiga. Os meus livros estão todos desgraçados. Livros em bom estado são livros que ainda não li, livros condenados. Dar cabo dos livros é a minha violência doméstica. Mas jamais me passara pela cabeça fazer de um romance uma sebenta de rascunhos. O romance até não era mau, adianto. Duas horas depois estaria a devorar as páginas que me faltavam ler e que tinham sido poupadas à minha demência momentânea. O fim da história é um pouco frouxo, mas o romance cumprira. Eu é que falhara. E foi com embaraço que voltei a folhear aquelas primeiras páginas, todas gatafunhadas. Por pudor, não revelo o nome do autor do romance que maltratei. Conto até encontrá-lo um dia em Lisboa e dizer-lhe algo como isto: "Uma vez, em Frankurt, quase perdi um avião por causa de um livro seu..." São estas as minhas verdades preferidas: verdades que substituem mentiras, sem prezuízo. Enfim, oito horas depois continuava o mesmo palerma, mas não tinha cedido ao sono e deu mesmo para apanhar a passarola da Singapure Airlines.
Homem lendo o jornal à sombra de um chorão. Nenhuma vontade de ler as Dernières Nouvelles d'Alsace; no que sobra, a inveja é total.
Rapaz pedalando bicicleta que chia. Lembrança do burburinho, do vento na pedra rosa, da água nos canais, mas antes a bicicleta, em cadência regular.
Deficiente motor em cadeira de rodas jogando petanque. Só compensa ser-se velho em França se a surdez ainda não se instalou, para que na penumbra do quarto se possa ouvir o chamamento do choque das bolas. A petanque começou na praia, comigo ainda criança e sem ver nas demais coisas arredondadas interesse que me desviasse das bolas coloridas. Um segundo momento regista a percepção da lógica do jogo de equipa, com um parceiro a preceito-velho e francês- a afastar a bola adversária para bem longe, dando a vitória à nossa equipa, pois a bola que ficara mais perto do cochonnet era de novo a minha nossa bola. Um terceiro momento de petanque leva-nos ao encontro de um professor de filosofia, a dissertar sobre a arte da boa trancada (enquadramento teórico que vinha precedido de fama e proveito), enquanto imprime um notável efeito de backspin na bola que lança em arco alto, tipo campânula, de modo a fazê-la cair quase na vertical, a milímetros do cochonnet, sem que ressaltasse ou deslizasse na terra batida, como se fosse uma gota de tinta a cair numa toalha de mesa. O cabrão comia-nos as mulheres e limpava-nos o sebo à petanque. Era um homem da renascença e espero que esteja desempregado.

É crucial identificar os autores do atentado terrorista de Madrid, por todas as razões. O que espanta é a fuçanguice especulativa que se apoderou de toda a gente. Sabemos quais são as implicações políticas. Também gostamos de numerologia. Não gostamos do PP, mas não queremos ver acrescido o perigo de um acto terrorista em Portugal. Meu Deus, como decidir? Não há nada para decidir. Há vítimas para chorar e muito que investigar. A esperteza pode esperar.
Gosto da Sexta-feira. Sempre gostei da Sexta-feira, mas aqui ainda gosto mais. Começo o dia tarde (15 minutos mais tarde), a acusar o cansaço acumulado ao longo da semana. No laboratório as pessoas parecem ou relaxadas ou ainda mais excitadas com o trabalho. Ao meio-dia há um concerto. No último ouvi uma interpretação soberba das variações Goldberg. Às quatro da tarde há uma conferência dada por um craque local ou outro cientista de renome. A última foi sobre os telómeros (os telómeros são as extremidades dos cromossomas). Foi uma Sexta-feira simplesmente prodigiosa. Bach ao meio-dia, telómeros às quatro da tarde, um almoço pelo meio numa cantina decente. O programa parece estudado para que ninguém trabalhe à Sexta, o que é quase um paradoxo num país tão virado para o trabalho e numa universidade tão preocupada com a imagem da excelência. Estou-me nas tintas. São dias únicos. Por mim, a semana teria sete Sextas: Bach e telómeros, Bartok e hipermutação somática, Mozart e exclusão alélica, Piazolla e códigos neuronais, Stravinsky e evolução, Tárrega e epigenética, Shubert e diferenciação celular. Perfeito, perfeito não seria. É até (como é que se diz?)... Contraproducente. Mas já que estamos no terreno da invenção, force-se um pouco mais as regras do tempo e da memória para que nos seja permitido viver cada uma das sete Sextas plenamente. Feitas as contas, o mais importante de cada Sexta-feira é a certeza do Sábado que virá.
Simone Pedroni acabou há cerca de 3 minutos de tocar as Variações Goldberg, de J.S. Bach, no anfiteatro da minha universidade. Sei que me vou arrepender, mas neste preciso momento Pedroni está a destronar impiedosamente a memória que tenho das famosas interpretações de Glenn Gould. Ainda estou meio abananado... Esta noite regresso a Glenn Gould.
Apenas mais duas notas avulsas. 1. É incrível como algumas pessoas conseguem começar a sair 3 minutos antes da conclusão da obra, quando de novo ouvem o tema. Parecem ignorar que quando se volta de novo ao tema, depois do que se ouviu, já não é o mesmo tema. 2. Telemóveis, pagers, gente constipada, gente que ressona a dormir, bébés e criancinhas não deviam poder entrar em salas de concerto. Ponto final. Um puto esfodaçou (é o termo) a quarta variação quando começou aos berros. A tonta da mãe foi lesta a levar a criança para zonas acusticamente seguras. Foi um bom esforço, mas não chega. Estes acidentes previnem-se, não se remedeiam.
Invariavelmente, mesmo algumas horas depois de mais um fim de tarde passado numa exposição, 678 permanece desconfiado. É quase certo que vai implicar com o empregado de mesa que lhe serve o jantar; só uma noite bem dormida lhe devolverá a inocência. A exteriozação mais prosaica da desconfiança de 678, encontrâmo-la nos seus olhos, esbugalhados pelo pânico de poder vir a pagar $10 000 por uma tela com um rabisco de um artista que não chegará a singrar. Por isso, antes de entrar numa galeria 678 procura um canto resguardado e recorre a complexo esquema de exercícios respiratórios, como se preparasse um longo mergulho em apneia. Para se condicionar, enquanto sustém a inspiração murmura: "todas as peças são más, os artistas medíocres e os galeristas uns aldrabões". O exercício repete-se as vezes necessárias, em função do perigo potencial que cada exposição representa. Eis segundo problema de 687: o que fazer numa exposição, depois de consumida a arte? Há várias opções, mas nos últimos tempos 687 viciou-se em planos-sequência altmanianos. É para ele um gozo saltar de conversa em conversa e tentar compôr uma discussão em tempo real. Da última exposição ainda recorda alguns fragmentos de diálogos: , "... Vou é já para casa pintar uns quadros...", "Gosto desta cama. Gostas da cama?", "Por que é que não me ligaste ontem?", "Gosto das pregas dos lençóis sobre o fundo negro. Não gosto da cama. Mas gosto das pregas. Parecem de pedra...", "... Chega-te mais para aqui...", "... gostava de ter a camisa que auquele gajo tem", "... A arte? Morreu. " 687 é o primeiro a reconhecer a impossibilidade de fazer uma discussão inteligível em tempo real a partir de colagens sonoras. Disse-me, a rir, "Pelo menos eu tenho essa desculpa...". Confessou-me depois que essa coisa pomposa dos planos-sequência altmanianos é apenas uma desculpa para poder bisbilhotar. 687 está sempre a fazer batota; demora-se na conversa se a conversa lhe interessa. Como aquela em que alguém disse: "detesto aqueles escritores que abreviam os nomes dos personagens, chamando-os por letras. K. , L., M., H. J., N., U., K., T., K., W. e K. O leitor sente-se excluído porque fica logo a pensar que aquela letra faz referência a uma pessoa real que o escritor conhece. As duas Anas do círculo de amigos do escritor pelam-se por saber qual delas era a "A". Kafka encolhe os ombros... Enfim, só equívocos. Eu corria tudo a números. O número do telemóvel, claro... Não o número inteiro que isso quilha a narrativa, mas, digamos, uns três dígitos, transformados por um algoritmo simples. A vantagem é que o leitor médio não ia ficar incomodado e o círculo de amigos também não. Continuaria a haver um código, que pode ser decifrado, mas com esforço ". Enfim, como a aprovação de 678 costuma ser consequente, trato-o aqui por 678, em jeito de homenagem (mas não há nenhum código por decifrar).
Chegámos tarde à exposição de Daniel Blaufuks... Do Daniel Blaufuks... Chegámos tarde à exposição do Daniel. Se calhar devia antes tratá-lo por D. 243 também não ficava mal. Perceba-se o problema: o Daniel conhece-me, assim como conhece o 678. Passámos umas tangentes um ao outro nesta cidade; a oitava cabeça a contar da esquerda naquele jantar com muita gente era a dele, tenho agora a certeza. O Daniel escreveu-me até uma dedicatória muito simpática num dos livros dele. Falámos já e conversámos um pouco até. Se nos próximos 10 anos nos encontrarmos por acaso na rua, creio que ainda nos lembraremos um do outro; eu, porque me interessei pelo trabalho dele; ele, porque sendo fotógrafo deve ter boa memória visual. Daqui a 30 anos tudo será mais complicado. (continua)
Recomendo o relato do desaparecimento das rádios Luna e Voxx, segundo o crítico musical. Agora que se conhece a identidade do "crítico" e antes que calem a Luna, deixo aqui um agradecimento ao Henrique Silveira, por um gesto dele, de pura carolice: em Dezembro de 2003 o Henrique passou no seu programa uma canção do Memória. Durante três minutos o share radiofónico da Luna levou um rombo mas para mim, como compreederão, a experência foi um gozo. Boa sorte, Henrique...
Os habitantes desta cidade andam em êxtase com o começo da Primavera. Mantenho-me céptico. Até encontrar a primeira barata ninguém me convence. Devo confessor que esta metamorfose do voo das andorinhas dos Olivais no andar rastejante das baratas da rua 63, em Nova Iorque, deixa-me algo nostálgico.
Acordar contigo
Jantar contigo
Adormecer contigo
Ou então
Jantar contigo
Adormecer contigo
Acordar contigo
Ou ainda
Adormecer contigo
Acordar contigo
Jantar contigo
Três instantes
Até à vida contígua
Contigo.
Deixo aqui um abraço ao Alexandre Andrade, pelo primeiro aniversário do 1bsk. O Alexandre criou um espaço verdadeiramente único, culto e descontraído, sofisticado e desconcertante. É também a única pessoa que, por causa dos blogues, vim a conhecer em carne e osso. Durante uns dias o cabeçalho ficará verde, em cromática homenagem.