Um ponteiro das horas ao abandono
Sem roda dentada
Os minutos em ferrugem
Um peso que não se toca
Um segundo vai
E o segundo volta
Sabes,
Via sempre a mesma sombra
No corpo em movimento
Uma sombra parada
Que não se parecia com nada
O céu dava ares de fotografia
Uma imagem sem retoques
A eterna alvorada,
E vinha o padeiro
Depois o carteiro
Mas sobrava sempre a mesma sombra
No corpo em movimento
Era como se o tempo trespassasse
Sem deixar ferida
Um qualquer truque de ilusionismo
Sem verbo, nem nada
Percebes ?