A MARCHA INEXORÁVEL DO PROGRESSO
Em Paris conheci um tipo que tinha mudado de casa 15 vezes em menos de uma década, parecendo querer pôr em cheque a expressão sans domicile fixe (SDF), um eufemismo para vagabundo. Na verdade, ele pretendia apenas perpetuar o empurrão que vem com a mudança. É um truque para vencer ou prevenir o aborrecimento, tão válido como qualquer outro. Assim se explica esta mudança.
Há uma outra razão: evitar a publicidade. Apesar do banner publicitário do antigo Memória da blogger nos ter poupado a uma associação involuntária com produtos que a sociedade e os bons costumes condenaram, só toleramos fazer publicidade à marca Adidas, sendo esta uma herança perversa daquele período da adolescência em que o reiterado primeiro amor se esquecia ao calçar os lendários Nastase.
Por fim, rendemo-nos à evidência. Como estrangeiros somos incompetentes. Dez anos não foram suficientes para cortar o cordão patriarcal. Estamos aqui mas ainda lemos as notícias locais nos diários de Lisboa . Guardamos postas de bacalhau no frigorífico. Somos um perigo para um século de conquistas sociais, pois quase justificamos a existência de ghettos. Ora, se o Memória é um produto tão nacional como a bolacha Maria ou a farinha Amparo e se, depois de muito ponderar, compreendemos que 5 leitores vindos do Brasil e um fã acidental no Japão não cumprem a ambição de uma carreira internacional, faz sentido mudar para um local onde mais facilmente podemos explorar a lusofilia.
Ainda estamos em tempo de mudanças, mas instalámo-nos definitivamente aqui. O Memória da blogger morreu.
A redacção
1 kg
Peso bruto do New York Times de Domingo: 1794.5 g
Peso do New York Times de Domingo depois da triagem: 1001.4 g
Nada mau para uma edição de Domingo. Alguém se dá ao trabalho de fazer o mesmo exercício com o jornal O Expresso?