abril 29, 2003

Zenão

Senão

Deixa-me acreditar, Zenão
Deixa-me ficar em confusão
Pensar que a morte não nos persegue
E que somos nós a persegui-la, então
Que a metade da metade da metade
Seja sempre nunca sempre só metade
Mas um jeito de renascer
Em quem do fim só se abeira.

abril 02, 2003

Assim como

Assim como as almas atormentadas
Que se procuram nos meandros da caligrafia
Como aquele tenente coronel
Ao som de clarins pelas madrugadas suadas
Assim como os que por temor ao sono
Vivem buscando o vértice e a aresta
Como um peregrino arrependido
Em pisadas refeitas até à última encruzilhada
Cheguei, mas devagar
Como uma sombra a crescer.